O Ministério Público do Maranhão (MPMA) denunciou à Justiça a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 37 anos, e o policial militar Michael Bruno Lopes Santos, de 35, pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, tortura majorada e tentativa de aborto contra a empregada doméstica Samara Regina Dutra Soares, de 19 anos, que estava grávida de cinco meses na época dos fatos.
A denúncia foi protocolada na última segunda-feira (29) e tramita na Comarca de Paço do Lumiar. Além da condenação dos acusados, o MP pediu a manutenção das prisões preventivas e que ambos sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.
De acordo com a promotora de Justiça Nahyma Ribeiro Abas, responsável pela denúncia, as provas reunidas incluem depoimentos de testemunhas e um áudio enviado pela própria empresária em um grupo de mensagens, no qual ela relata as agressões em tom de deboche. A autenticidade do material foi confirmada por perícia do Instituto Médico Legal (IML).
Segundo as investigações, Samara foi acusada de furtar um anel enquanto trabalhava na residência da empresária. Para forçá-la a confessar o suposto crime, Carolina teria acionado o amigo, o policial militar Michael Bruno. A vítima foi colocada de joelhos, puxada pelos cabelos, agredida com tapas, socos e coronhadas, além de ser ameaçada com uma arma de fogo.
O MP afirma ainda que os denunciados chegaram a ameaçar dopar a jovem para levá-la até um local isolado, onde pretendiam matá-la. A consumação dos crimes, segundo a acusação, só não ocorreu porque Samara conseguiu fugir e pedir ajuda a uma vizinha, que acionou a Polícia Militar.
A investigação também concluiu que o anel nunca foi furtado. O objeto teria apenas caído em um cesto de roupas, reforçando o depoimento de uma funcionária antiga da casa, que afirmou ser comum a empresária perder objetos pessoais.
A denúncia destaca ainda que Carolina Sthela já possui uma condenação anterior por calúnia, após acusar falsamente a babá do próprio filho de furtar uma pulseira de ouro, em circunstâncias semelhantes às registradas no caso Samara.


